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20/04/2017
Fonte: Scot Consultoria

Alexandre Raffi, vice-presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores de Novilho Precoce

Scot Consultoria: Para iniciarmos nossa conversa você poderia contar um pouco da sua história pra gente e qual tipo de trabalho atual que o senhor desenvolve na sua fazenda?

 

Alexandre Raffi: Eu sou Engenheiro Agrônomo formado na Unesp de Jaboticabal em 1990 e “desde sempre” fui inserido no agronegócio de minha família. Eu e meu pai desenvolvemos juntos a nossa fazenda há quase 27 anos. Minha fazenda é localizada em Anastácio-MS e atualmente temos 500 hectares destinados à produção de eucalipto, 200 hectares destinados à integração lavoura-pecuária e aproximadamente 1500 hectares dedicados a recria e engorda de bovinos. E no momento estou analisando a fertilidade do solo para poder investir em lavouras de soja.

 

Scot Consultoria: Qual a sua ligação com a Associação Sul-Matogrossense de Produtores de Novilho Precoce?

 

Alexandre Raffi: A Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores de Novilho Precoce – ASPNP, sediada em Campo Grande/MS, foi fundada em 1998 por um grupo de pecuaristas com o objetivo de atender a crescente demanda por carne bovina de qualidade comprovada. Faço parte da associação há muitos anos eu fui eleito presidente durante quatro anos, entre 2010 e 2014.

 

Em 2014 tivemos as novas eleições e entramos na gestão atual, na qual sou vice-presidente e o Nedson Rodrigues Perereira é presidente. Atualmente nossa diretoria é composta por onze profissionais diretamente ligados à cadeia do agronegócio dispostos a fomentar a cadeia de produção de carne de qualidade em Mato Grosso do Sul.

 

O nosso trabalho me agrada e me orgulha muito. Fazemos um movimento de produtores para que eles ganhem mais e sejam melhor remunerados ao melhorar a gestão de sua fazenda.

 

A associação não tem âmbito político e sim comercial, desenvolvemos parcerias com supermercados, frigoríficos e outros, mas assuntos que dizem respeito a esfera política não nos envolvem.

 

Scot Consultoria: O senhor poderia comentar um pouco sobre a divulgação do novo programa do Novilho MS?

 

Alexandre Raffi: Vamos esclarecer alguns pontos, pois é muito comum que haja confusão nesse tópico. A associação do Novilho Precoce é uma entidade particular, atualmente temos 360 produtores associados que desenvolvem parcerias comerciais conosco.

 

O projeto Precoce MS do governo de Mato Grosso do Sul, que é o antigo Programa de Incentivo ao Novilho Precoce, é um projeto do governo que não tem ligação com a Associação. Os pecuaristas podem ser associados e pertencer ao programa do governo ou não. Somos duas entidades distintas.

 

As parcerias que temos na associação pagam bônus para os associados, o incentivo fiscal que o governo do MS fornece é para qualquer produtor do estado que se dispõe a se cadastrar na secretaria de produção, temos que deixar isso claro. Nós tivemos algumas reuniões com o governo sobre a elaboração do programa Precoce MS, mas ele é totalmente separado da associação.

 

Para ser inscrito no programa do governo é necessário o preenchimento de um questionário e uma avaliação extremamente criteriosa da fazenda, e agora com a mudança é preciso que a fazenda tenha um responsável técnico, seja ele agrônomo, zootecnista ou médico veterinário. Quem cadastra a fazenda no programa é o profissional da fazenda.

 

Na associação os pecuaristas entram como produtores rurais e após preenchimento do formulário recebem a visita de um técnico que avaliará o sistema de produção, quais as parcerias mais interessantes e lucrativas de acordo com o modelo especifico da fazenda e quais são os programas de bonificação mais adequados.

 

Os associados, a partir de agora, com o início do programa, podem ter a bonificação duplicada. Na venda de um animal precoce eles ganharão o bônus de parceria com a associação e o incentivo fiscal do governo. Um ajuda o outro.

 

Nem todo produtor rural de Mato Grosso do Sul pertence à associação, mas todo produtor rural pode se inscrever no programa do governo.

 

Scot Consultoria: Como funcionam os pré-requisitos para ser um associado?

 

Alexandre Raffi: Eles dependem das parcerias que temos, por exemplo, atualmente nós fornecemos toda a Carne Garantia de origem do Carrefour, abatemos 4000 novilhas por mês, então se o pecuarista tiver novilhas nesse padrão ele pode optar por se filiar à associação.

 

Cada tipo de parceria que temos tem pré-requisitos e exigências específicas, se o produtor rural tiver um sistema extensivo com terminação tardia de animais e com carcaças de pouca qualidade, não é interessante que ele se associe, pois ele não vai ganhar bônus.

 

Scot Consultoria: Atualmente quais são os parceiros da associação?

 

Alexandre Raffi: Hoje fornecemos toda carne garantia de origem do Carrefour para o Brasil inteiro. A produção do animal é inspecionada de ponta a ponta e, no final da cadeia a carne possui um código de barra no qual é possível rastrear o dia de abate, o local de abate, o sistema de produção onde esse animal foi criado, etc.

 

Temos uma parceria também com o programa “Casa da Carne” do Wal-Mart, para o qual também fornecemos nossos produtos.  E nosso principal parceiro hoje é o JBS. Essa parceria é diferente, eles pagam bônus pelos nossos animais, mas fazem a venda de maneira independente.

 

O tripé da associação para essa bonificação é idade, acabamento e peso. O animal tem que ter o peso dentro de uma faixa especifica, a idade cada vez menor e o acabamento cada vez melhor, quanto mais o animal atender a esses requisitos maior será a bonificação.

 

Scot Consultoria: A associação pretende atuar em outros estados?

 

Alexandre Raffi: Por uma questão de logística só existimos em Mato Grosso do Sul, é muito difícil estender para outros estados. Temos uma característica interessante porque Campo Grande é exatamente no centro do estado e toda nossa base de operação é localizada lá.

 

É complicado fazermos isso em outro estado, não são todas pessoas que querem se envolver. Mas se houver demanda, acho interessante que eles copiem o modelo e fomentem a pecuária do próprio estado.

 

Scot Consultoria: Quais são as maiores dificuldades para o pecuarista produzir uma carne de qualidade no Brasil?

 

Alexandre Raffi: Quanto às fêmeas, já foi provado em estudos que se ela atingir 13 arrobas em até dois anos terá uma carne de excelente qualidade e muito bem aceita pela população.

 

Nosso maior problema é relacionado ao macho, porque historicamente acreditamos que o macho inteiro é mais produtivo e com melhor desenvolvimento. Mas temos que deixar claro que um animal bom não corresponde necessariamente a uma carne de qualidade. A grande maioria dos produtores está produzindo animais inteiros nas fazendas e essa é a briga.

 

Os frigoríficos, os açougues e os restaurantes gostariam de ter uma carne de animal castrado porque já está provado que esse tem melhor acabamento e maior tempo de prateleira, pra isso o produtor tem que capar esse animal mais cedo.

 

Nosso maior desafio, que é a parceria que temos com o JBS, é a bonificação para o animal capão, para tentar fortalecer o reduto do animal capão no estado, porque em Goiás e em Mato Grosso isso não existe mais.

 

Eu continuo fazendo a imunocastração no meu rebanho, acredito que essa tecnologia é muito interessante e veio para ajudar o pecuarista.

 

Scot Consultoria: A associação possui alguma parceria que tenha bonificação de raças?

 

Alexandre Raffi: Não, o frigorífico normalmente possui bonificação para animais da raça Angus e nos também usamos essa bonificação, mas não programas de incentivo para esse tipo de produção. Qualquer raça de bovino que seja bem terminada, jovem, e com carcaça de qualidade nós buscaremos parcerias para ele.

 

Scot Consultoria: Em sua opinião quais são os pontos positivos da associação?

 

Alexandre Raffi: Acredito que seja a troca de informações e conhecimentos que fazemos. Temos reuniões semanais para discutir todos os pontos da cadeia e elaborar melhores soluções.

 

Como já estamos na vanguarda desse programa e percebemos que muitos pecuaristas já estão produzindo esse tipo de animal. Atualmente, estamos querendo certificar como o animal é produzido, através da garantia de boas práticas, capacitação de produtores, instituição do CAR (Cadastro Ambiental Rural) em todas as propriedades, mesmo que ele não seja obrigatório, nós estamos incentivando.

 

A associação está sempre tentando mostrar para o mundo afora que produzir animal com reponsabilidade é interessante e acontece no Brasil.

 

O programa do estado, antigamente, bonificava o animal quando ele chegava ao frigorífico, hoje o governo foi para a mesma linha de pensamento que a nossa. Não basta só a ponta final da cadeia, que é a carcaça, agora queremos saber também como ele é produzido. Hoje o governo aumenta a bonificação para o produtor que reforma pasto, que tem curso de capacitação para os funcionários, que é cadastrado no CAR, que possui um responsável técnico, tudo para tentar fazer com que o produtor aumente sua produtividade.

 

O novo programa de Mato Grosso do Sul está indo porteira adentro e valorizando todas as etapas do processo de produção do animal.

 

Como estamos envolvidos com o meio ambiente nós temos que fazer isso, temos que mostrar que a pecuária se preocupa com o meio ambiente e com sustentabilidade. Estamos, inclusive, estudando uma parceria com a WWF (sigla em inglês para Fundo Mundial para a Natureza).

 

Scot Consultoria: Quais são os planos futuros da associação?

 

Alexandre Raffi: Fortalecer as parcerias internas e criar o selo de qualidade da associação.

 

Temos um projeto de estratégia para criação desse selo e fazer com que ele seja reconhecido no Brasil inteiro. Com esse selo a carne é valorizada com todo um histórico de qualidade.

              
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