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27/07/2017
Fonte: Novilho Precoce MS

O que vale mais a pena: castrar o boi ou mantê-lo inteiro?

Qualidade das carnes pode ser diferente, assim como a remuneração paga ao produtor. Conheça os prós e contras de cada escolha

A castração ou não do rebanho é uma questão constante para os pecuaristas, pois ambas as opções têm pontos positivos e negativos. “Na maioria das vezes, o boi castrado produz uma carcaça e uma carne de melhor qualidade, enquanto o boi inteiro tem produtividade maior, ele ganha mais peso”, exemplifica Rodrigo Gomes, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, sediada em Campo Grande, MS. Daí a escolha não ser simples, o que dificulta colocar os prós e contras na balança.

Carne x gordura – Assim, se deseja ter maior produtividade, Gomes acredita que o produtor fique tentado a não castrar o boi, o que pode lhe render uma carcaça mais pesada e, consequentemente, maior receita, mas, ao mesmo tempo, perdas no quesito acabamento. Segundo ele, apesar de o boi inteiro apresentar maior ganho de peso – podendo ter desempenho 10% superior ao dos bois castrados -, ele não consegue a mesma deposição de gordura. “O boi inteiro acaba acelerando esse processo de engorda, mas com mais musculatura e menos gordura”, afirma Alcides Torres, sócio-diretor da Scot Consultoria.

Essa diferença ocorre por causa dos hormônios que são mantidos quando não há castração, explica Gomes. “Dessa forma, o alimento que o boi inteiro consome é, em sua maior parte, destinado para a produção de músculo, fazendo dele um animal que ganha mais peso, produz mais carne, mas penaliza o acabamento”, conta.

Essa falta de gordura, segundo a Embrapa, pode resultar em um escurecimento da parte externa dos músculos durante o resfriamento da carcaça, que, por esse e outros fatores, como pH mais baixo, faz com que as carnes de bois castrados tenham um vermelho mais vivo do que aquelas de animais inteiros. Elas também tendem a ser mais macias e ter maior vida útil na prateleira.

Bois mais dóceis – A diferença de comportamento também deve ser levada em consideração na hora de decidir pela castração. Animais castrados ficam mais dóceis, o que facilita a condução no dia a dia. “Com o boi inteiro, o manejo é mais complicado em termos de mão de obra, porque você quebra mais cercas, currais, pode se machucar mais”, completa o pesquisador.

O gosto do freguês – “Existe ainda uma política dos frigoríficos de dar preferência para bovinos castrados, o que em uma época de abundância de oferta, como é o momento vivido pela pecuária hoje, fica mais evidente”, diz Alcides Torres. Na falta de bovinos castrados, isso muda, “já que a indústria precisa girar, e compra o que tem”, completa. Em 2016, segundo o Mapa, dados de fiscalização de frigoríficos mostraram que 31% dos abates foram de bovinos castrados, 65% de animais inteiros e 4% não identificados.

Segundo Torres, não há, hoje, de maneira generalizada, uma premiação pela carcaça de bovinos castrados, havendo sim programas específicos, cada um com sua política. Mato Grosso do Sul é um dos Estados com projetos próprios. “Às vezes o frigorífico, por incentivo do Estado, como é o caso aqui, paga a mais por esse boi castrado. Só que, ao mesmo tempo, o produtor perde um pouco em desempenho desse animal, porque ele será abatido mais leve”. A escolha, então, fica a cargo do pecuarista e depende do mercado que ele quer atingir.

Momento de castrar – Segundo o pesquisador, atualmente, a preferência dos produtores é por castrar os animais com peso entre 350 e 400 kg, porque nesse momento, eles já passaram da puberdade e tiveram pleno desenvolvimento da sua ossatura. “É mais para evitar que o animal ainda esteja crescendo, colocando musculatura, apesar de pesquisas já terem indicado que não há muita diferença em castrar o boi com 350-400 kg ou 250-300 kg”, diz. 

As opções de castração variam. Uma delas é o método cirúrgico, que retira os testículos do bovino em um processo mais agressivo, de recuperação moderada, mas considerado de alta eficácia. E outras são o burdizzo, esmagamento dos cordões espermáticos, que é tido como um método agressivo e de recuperação mais lenta, ou a castração química, que apesar de menos agressiva, ainda tem uma eficácia mediana. Seja qual for a opção escolhida pelo produtor, Gomes ressalta a importância de as medidas cirúrgicas respeitarem as normas técnicas do Conselho de Medicina Veterinário e serem realizadas sempre por um profissional.

              
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