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28/07/2017
Fonte: Globo Rural

“A lua-de-mel de Tatão”, crônica de Waldo Nogueira

O autor conta a história sobre como a primeira viagem do casal Tatão e Maria das Graças acabou tendo um final inesperado

Tatão e Maria das Graças casaram-se num final de maio, mês de casamento, na igrejinha branca de Riacho Fundo. Do altar foram diretamente esperar o trem: o destino era Aparecida do Norte, com o duplo objetivo de passar a lua-de-mel e pagar promessa.

O trem encostou na estação com atraso tolerável, de pouco mais de meia hora. Felizes, Tatão e Maria das Graças ocuparam seu canto no vagão de segunda classe para o primeiro eito da viagem, a primeira na vida deles.

Tinha baldeação na vizinha Soledade. Desembarcaram e ficaram passeando de uma plataforma para outra, as duas iguais, com portas de boteco, armazéns e outros compartilhamentos dando para ambos os lados. Estavam comendo pastel quando um trem irrompeu numa das plataformas. Tatão não pestanejou: pagou apressado e levou a bagagem e mulher para o vagão mais próximo. Enquanto acomodava as coisas, comentou: - Até que a demora foi pouca…

A maria-fumaça apitou, os vagões estremeceram e a estação Soledade foi ficando para trás. Logo o trem embalou, sacolejando, como um cavalo que galopasse pelos pastos de capim-gordura tingidos de roxo, começando a soltar semente. Era uma tarde limpa. já batida pelo frio que aumentava conforme o trem e o tempo corriam. Na paisagem, uma sucessão de cores e tons desenhados pelo passeio do sol entre os morros.

Tatão espreguiçou, imaginando a alegria de viver com aquela pessoa ali quietinha a seu lado. Como se não bastasse o casamento, havia essa viagem de uma semana para esquecer a monotonia do trabalho na prefeitura de Riacho Fundo. Ou teria sido mais prudente economizar o dinheiro que estavam gastando? A dúvida desapareceu rapidamente como surgiu, levada pelo entusiasmo de Maria das Graças ao ver, numa velha lavoura de milho, capivaras que fugiam assustadas com o barulho do trem.

De repente, antes mesmo que alguém aparecesse para picotar os bilhetes, a velocidade começou a diminuir.  Um apito longo espalhou-se no resto da tarde, início da noite, e Tatão passou a notar coisas familiares na paisagem. Inclusive um prédio amarelo, cada vez mais próximo e parecido com aquele em que dava expediente. Debruçado na janela, cutucou a mulher e disse, inseguro: - Parece que já conheço esse lugar…

Era verdade. Quando o trem parou, o casal não teve outra alternativa que descer na estação Riacho Fundo.

Publicado originalmente em dezembro de 1993, na edição 98 da revista Globo Rural.

              
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