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10/01/2005
Fonte: Raymundo Braga

A agonia de um produtor diante do MST

Meu nome é Raymundo Wilson Barboza Braga. Sou brasileiro, nordestino, pernambucano com muito orgulho, estudante e filho de um dos 3 donos da propriedade São Vicente,localizada no município de Salgadinho, que foi invadida em 2003 pelos integrantes do acampamento do MST Carlos Maringhella. Sou mais uma das verdadeiras vítimas do terrorismo, junto com a minha família. O MST invadiu e ocupou a Fazenda São Vicente por quatro meses. Nesse período, eles não sofreram nenhuma ameaça nem agressões por parte dos donos da Fazenda. Logo depois da invasão, a minha mãe, irmã e tia foram obrigadas a entrar na própria casa para fazer a remoção forçada de seus pertences. Existiam na casa duas armas QUEBRADAS (registro na delegacia de Salgadinho), as quais foram RETIRADAS PELOS INTEGRANTES DO ACAMPAMENTO, e devolvidas em seguida. Meu pai foi obrigado a vender seus bois e cavalos, sob ameaça de que se ele não os vendesse, os perderia. Nesse período de quatro meses, os in tegrantes do acampamento Carlos Maringuella ocuparam todas as dependências da fazenda, deixaram contas de água e energia elétrica altíssimas para meu pai pagar, destruíram todas as plantações da Fazenda, arrombaram o escritório do meu pai e roubaram tudo, inclusive vários livros manuscritos, que ele ainda não havia publicado; roubaram centenas de objetos da fazenda (lista dos objetos roubados na delegacia de Salgadinho), destruíram uma reserva florestal permanente que pertencia ao IBAMA (e estão sendo processados pelo IBAMA por isso), violaram um mausoléu dos antepassados do meu pai em busca de dentes e objetos de ouro, entre outras ocorrências. Depois de quatro meses, meus pais conseguiram o mandado de reintegração de posse, e o meu pai gastou todo o dinheiro que conseguiu arrecadar com a venda dos bois e cavalos alugando vários caminhões para deixar os pertences dos sem-terra e os sem-terra onde eles queriam. Quando o último caminhão estava saindo, uma integrante falou: - "A gente vai hoje mas volta amanhã..." Nessa mesma noite, eu e meus pais passamos a noite em nossa casa. No dia seguinte, e durante três dias consecutivos, eu e meus pais fomos aterrorizados pela guerra psicológica dos integrantes do acampamento Carlos Maringuella, que acamparam a uma distância de 300 metros da fazenda, num campo de futebol do povoado chamado Pedra Tapada, no município de Passira, que fica em frente à Fazenda São Vicente. Entre outras ameaças, os integrantes do MST disseram que iam esquartejar meu pai e pendurar o corpo dele na porteira. Meus pais ficaram aterrorizados, e pediram ajuda a todos os juízes e delegados da região, os quais autorizaram escolta da polícia militar em tempo integral, até que os integrantes do MST parassem de ameaçar minha família. Depois de 4 dias, os integrantes do acampamento Carlos Maringhella tentaram reinvadir a Fazenda São Vicente, munidos de foices, facões, enxadas e armas de grosso calibre (chamadas garruchas). Fomos obrigad os a defender a nossa casa, a nossa vida, a nossa integridade física, os nossos direitos civis garantidos pela constituição. Nessa tentativa de reinvasão, um dos integrantes do MST foi baleado. Os integrantes do MST são totalmente responsáveis por esta ocorrência, pois foram eles que vieram, às centenas, atentar VIOLENTAMENTE contra mim e a minha família, e acabaram por ferir de raspão um de seus próprios integrantes. Decorridos aproximadamente 3 dias dessa tentativa de reinvasão, eu e meus pais já estávamos completamente esgotados fisicamente e psicologicamente, devido às constantes ameaças dos integrantes do MST. Nessa noite, a filha de um dos moradores antigos da fazenda veio correndo avisar que os integrantes do MST iriam reinvadir a fazenda por todos os lados, nessa mesma noite. Nesse momento, eu disse para os meus pais que eles deveriam voltar para o Recife, mas eu continuaria ali, para defender a MINHA CASA. Mas eles disseram que o maior tesouro que eles tinham era eu , e nós fugimos da nossa própria casa, sob gritos histéricos de vitória no acampamento do MST. A partir deste dia, eu entrei em depressão profunda, mas já estou curado. O fato é que eu e a minha família já estávamos com o documento de reintegração de posse nessa data; estávamos sob escolta da polícia militar em nossa própria residência, devido às ameaças do MST; a Fazenda está muito abaixo do limite mínimo de área para reforma agrária (a Fazenda tem 123 hectares); a propriedade está sob inventário (e não poderia nunca ser violada); nunca foi um latifúndio improdutivo; sempre ajudamos os moradores da fazenda, sem cobrar nada pelo que eles plantavam na propriedade; tinhamos todos os impostos e taxas da propriedade rigorosamente atualizados e pagos. Agora, depois de aproximadamente um ano, devido às duas mortes dos integrantes do MST, ocorridas no município de Passira, eu e minha família estamos sento acusados de adotar a prática de realizar despejos com grupos paramilitares, e de ter baleado um integrante do MST. Desafio quem quer que seja a provar que tudo que eu falei não é verdade. Justiça seja feita, Excelentíssimo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

              
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