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Editoriais

10/04/2008
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

Paralisação afeta produção da indústria

Pólo de Manaus está deixando de produzir cerca de R$ 45 milhões por dia

Renée Pereira, Evandro Fadel, Marcelo Rehder e Chico Siqueira

A greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que ontem entrou na terceira semana, tem provocado inúmeros transtornos para a indústria nacional. Sem estoques elevados, por causa das altas taxas de juros, e com matéria-prima retida nos portos e aeroportos, fabricantes estão parando a linha de montagem de alguns produtos.

É o caso da multinacional Thomson, fabricante de decodificadores para TV a cabo e modem, em Manaus. A companhia está com três linhas de produção paradas por causa da retenção das peças importadas nos portos e aeroportos. Isso obrigou a empresa a dar licença remunerada a 320 funcionários - alguns deles estão em casa desde o fim de março.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus, Wilson Périco, o prejuízo diário da empresa com a paralisação da linhas de produção é de R$ 2 milhões. Ele calcula que todo o pólo industrial de Manaus está deixando de produzir cerca de R$ 45 milhões por dia.

Outra multinacional que tem sofrido com os transtornos da greve é a Siemens, uma das maiores empresas de componentes para eletroeletrônica. A unidade instalada na Cidade Industrial de Curitiba precisou remanejar as linhas de produção. “Temos de otimizar o que está disponível”, afirmou o gerente de Logística, Norberto Müller.

Mas, apesar da demora, ainda não foi observada ociosidade funcional na fábrica. Teme-se que a greve avance acima do tempo que os estoques podem suportar.

A paralisação dos auditores também ameaça a saúde pública. Segundo a Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), deve começar a faltar medicamentos nas farmácias e hospitais do País, caso a liberação de insumos e matérias-primas importados não se normalize nos próximos dez dias. A entidade faz um acompanhamento diário do nível dos estoques nos laboratórios, por meio de consulta a 50 empresas do setor. Existem hoje 267 indústrias farmacêuticas filiadas à Febrafarma.

Em duas cartas enviadas ao Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) - a última no dia 1º -, o presidente da Febrafarma, Ciro Mortella, alertou sobre casos de falta de matérias-primas essenciais para a fabricação de remédios no País. De lá para cá, a situação não se alterou.

Segundo a entidade, os fiscais só têm liberado produtos perecíveis, enquanto outras matérias-primas e medicamentos prontos que não dependem de cuidados especiais sofrem o embargo. A Febrafarma não descarta entrar na Justiça para conseguir a liberação imediata das cargas.

As empresas exportadoras também começam a ser prejudicados. Em Birigüi, no interior de São Paulo, a Indústria Pampili, luta para liberar as cargas paradas nos aeroportos de Cumbica e Viracopos e nas fronteiras de Corumbá (MS) e Foz do Iguaçu (PR). Segundo a analista de exportações da empresa, Michela Gabriel, cerca de 20 mil pares de sapato deixaram de ser embarcados, numa movimentação financeira de US$ 150 mil.
              
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