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29/04/2008
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

A deterioração das contas externas

O balanço de pagamentos apresentou,em março, superávit de US$ 1,341 bilhão, com a conta de transações correntes exibindo um déficit de US$ 4,429 bilhões, que, no primeiro trimestre, já soma US$ 10,7 bilhões.

As contas externas já anteciparam, em março, os efeitos da decisão do Copom, na sua reunião de abril, que elevou a taxa Selic em 0,50 ponto porcentual. É que as empresas estrangeiras, prevendo a elevação da taxa de juros, aumentaram as remessas de dividendos em 239,4% em relação a fevereiro. As saídas somaram US$ 4 bilhões, valor que se explica porque as empresas instaladas no Brasil apresentam ótimos resultados, enquanto suas matrizes, no exterior, enfrentam dificuldades financeiras por causa da crise nos EUA.

Prevendo que a decisão do Copom poderia provocar uma nova valorização da moeda nacional, as remessas de lucros foram ligeiramente menores em março.

A conta financeira teve saldo positivo de US$ 5,762 bilhões, com aumento de 48,2% em relação ao mês anterior, reforçando o saldo positivo do balanço de pagamentos. É um resultado que também reflete decisões dos investidores estrangeiros que se anteciparam à do Copom.

Os ingressos de investimentos diretos cresceram 246,4% em relação a fevereiro, somando US$ 3,083 bilhões. Os investimentos em títulos de renda fixa somaram US$ 4 bilhões, com aumento de 40,9% em relação a fevereiro, embora um diretor do Banco Central (BC) afirme que a decisão do Copom tem pouca influência nesse tipo de aplicação.

O BC não modificou, em março, sua previsão para o déficit em transações correntes, de US$ 12 bilhões, neste ano. No entanto, pela pesquisa Focus, o mercado prevê US$ 16,6 bilhões em 2008 e US$ 22 bilhões no próximo ano.

Para alguns observadores, a situação do balanço de pagamentos poderá se deteriorar com as medidas tomadas pelas autoridades monetárias.

Os dados relativos ao fluxo cambial até o dia 24 de abril já dão sinais disso: o fluxo ficou positivo em US$ 4,934 bilhões, resultado gerado, porém, na conta comercial, enquanto a conta financeira ficava negativa em US$ 222 milhões. Com o aumento dos investimentos diretos estrangeiros, as remessas de dividendos continuarão crescendo. Até o dia 24 de abril, os títulos de renda fixa, em razão da alta da taxa Selic, atraíram US$ 5 bilhões, contribuindo para a valorização do real.

As transações correntes estão a exigir muita atenção.
              
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