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Editoriais

25/07/2008
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

Uma decisão tempestiva do Copom

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar em 0,75 ponto porcentual (p.p.) a taxa Selic não foi propriamente uma surpresa, pois o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, já havia deixado claro que poderia adotar uma política mais dura para “promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória das metas”.

As autoridades monetárias sabiam que podiam contar com o apoio do presidente da República, que teme terminar seu segundo mandato com uma inflação alta, e sentiam que a oposição das entidades de classe não era tão forte quanto foi no passado recente, pois, com a elevação da inflação, a taxa de juros real não aumentou.

A decisão agressiva do Copom nasce fortalecida pelos elogios recebidos do exterior, dando o Brasil como o país que leva mais a sério sua política monetária. As autoridades monetárias não se deixaram cativar pela melhora dos índices de preços nem pela redução do preço das commodities.

Não se pode negar, todavia, que esta ortodoxia tem seu custo. O maior é o de facilitar um novo ciclo de valorização do real ante o dólar, aumentando as dificuldades para exportar e dando maior estímulo para as importações, com deterioração da balança comercial, especialmente se for constatada uma queda dos preços das commodities vendidas ao exterior.

Não se sabe se o Copom continuará a aumentar em 0,75 p.p. a taxa Selic nas três reuniões que ainda restam para este ano, mas já se pode prever que o juro real voltará a crescer, uma vez que a taxa básica ainda reflete os tempos de hiperinflação. Isso pode acarretar uma ligeira queda da demanda doméstica e de alguns investimentos, estes muito necessários para reduzir a pressão inflacionária. E aumentará o serviço da dívida interna.

A publicação da ata da reunião deve mostrar que o Copom, que teve a coragem de endurecer sua posição, será igualmente corajoso na denúncia dos gastos do governo.

As declarações do presidente Lula da Silva são elucidativas nesse assunto. Dando todo seu apoio às medidas necessárias para derrubar os preços, esqueceu-se de que seu governo, com os gastos crescentes, tem grande responsabilidade na alta de preços - e anunciou que não vai reduzir o consumo, o que é o alvo do BC. Aliás, quando se verifica que no mercado futuro os contratos mais longos baixaram de cotação, pode-se temer que isso alimente um aumento do consumo...
              
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