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04/08/2011
Fonte: Gazeta do Povo

Carne brasileira tropeça na Rússia e no câmbio

Real valorizado e embargo russo comprometeram o desempenho das vendas externas em julho

Luana Gomes

As exportações de carne in natura do Brasil recuaram em julho, cedendo ao peso do câmbio valorizado e ao embargo russo a mais de 100 frigoríficos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), 369,7 mil toneladas de carnes bovina, suína e de frango deixaram os portos brasileiros no último mês – volume 15% menor que o de junho e 20% inferior ao de julho de 2010.

As exportações do setor haviam crescido no mês anterior, com importadores antecipando compras para a primeira quinzena, antes da suspensão russa às processadoras brasileiras. “Em julho, já se viu um pouco mais de efeito (do embargo). A queda foi muito significativa para a carne suína, mas o recuo da carne bovina não é desprezível”, disse o diretor técnico da consultoria Informa Economics FNP, José Ferraz. Os analistas ressaltam que ainda é difícil isolar o “efeito Rússia” na queda dos embarques, e esperam por relatórios mais detalhados.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC revelam que as exportações de carne suína despencaram para 30 mil toneladas, um tombo de 35% com relação ao mês anterior (veja quadro ao lado). “No nosso caso, a queda é muito por causa da Rússia. Neste mês (de julho), perdemos no mínimo umas 12 mil toneladas”, calculou Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). Atualmente, a indústria de suínos conta com apenas um frigorífico habilitado para exportar ao mercado russo, que era o destino de um terço da produção.

Pressionadas pelo real forte, que deixa o produto brasileiro mais caro no exterior, as vendas externas de carne bovina do Brasil caíram 19% no mês passado, para 62,8 mil toneladas. De acordo com Antonio Jorge Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), a crise no mundo árabe, que afeta demanda dessa região, e as restrições europeias, que mantêm um número limitado de propriedades habilitadas a exportar, são o problema.

Para o presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, não houve surpresa. “No período em que o dólar esteve derretido, a indústria perdeu mercado europeu e japonês. E teve o problema com o mercado russo.” Os embarques do setor caíram 11% de junho para julho.

No Paraná, a maior queda é a da bovinocultura, cujas exportações de carne congelada caíram 75% mês passado, na comparação com julho do ano anterior, para apenas 308 toneladas. Com recuo de 13%, os embarques paranaenses de carne suína congelada somaram 2,8 mil toneladas em julho. Já as vendas externas de frango inteiro congelado do Paraná somaram 36,1 mil toneladas no mês passado, volume 7% menor que o registrado há um ano.

              
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