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03/05/2017
Fonte: Globo Rural

O futuro é da novas tecnologias

Em entrevista à Globo Rural, o engenheiro Fernando Gonçalves Neto fala sobre o avanço da automação e o uso das novas tecnologias na agricultura

 

Engenheiro mecânico formado pela USP de São Carlos, Fernando Gonçalves Neto dirigia o setor de pesquisa e desenvolvimento da Jacto na época do lançamento do veículo autônomo conceito, que foi sensação na Agrishow em 2010. Em 2015, ele assumiu o cargo de presidente da divisão agrícola da empresa com a missão de comandar 1.300 funcionários, mantendo a filosofia implantada pelo imigrante japonês Shunji Nishimura, que fundou a empresa em 1948, de sempre investir em inovação e atender ao cliente em todas as suas demandas. O engenheiro observa que as máquinas agrícolas avançam mais rapidamente para serem autônomas do que os veículos da cidade. Ele diz que a máquina autônoma é só uma parte. “Ter total controle do que acontece no plantio, na pulverização e na colheita num ambiente único é o futuro, ou melhor, é quase o presente.” O  agricultor precisará ter ao seu lado, além de um agrônomo, um cientista de dados para analisar as operações e muitas outras informações disponíveis na “nuvem”, para indicar as melhores soluções visando ao aumento de produtividade e redução de custos.

GLOBO RURAL - A Jacto está lançando uma solução própria de agricultura de precisão (AP)?
Fernando Gonçalves Neto - A AP, que teve suas primeiras ferramentas lançadas no Brasil em 1997, vem crescendo muito rapidamente ao longo dos últimos anos. A barra de luz e o piloto automático, primeiras ferramentas, ajudam no mapeamento da lavoura, gerando economia. Hoje, a gente já fala em digitalização da agricultura, que envolve três pontos: a máquina, os negócios e as pessoas. Nossos engenheiros desenvolveram um sistema de tecnologia que vamos lançar na Agrishow. É um instrumento de AP que traz um conceito de fácil uso, que a gente chama de repetidor de operações. Por exemplo, num pulverizador, o sistema grava todas as operações que foram feitas pela máquina. Se o agricultor tiver um operador bom, ele grava essa operação e, no próximo ciclo, pode repetir tudo: desde o controle de altura de barra e a velocidade da máquina até a trajetória. Ele cruza os braços e a máquina faz tudo, repetindo a operação boa que foi feita no ciclo anterior.

 

GR - Já existem no mercado soluções de AP com custo-benefício favorável para os pequenos produtores?
Fernando -
 Um desafio da indústria é tornar viáveis ao pequeno produtor as soluções tecnológicas. Hoje, muitos têm acesso a essas soluções, mas não são todos que têm um Mercedes-Benz na garagem. É preciso levar a tecnologia do Mercedes para os veículos mais populares, com custo mais acessível e que permita ao pequeno também ter tecnologia de ponta. Estamos falando de piloto automático, barra de luz e outras ferramentas que envolvem o controle da máquina.

GR - A resistência do agricultor a novas tecnologias vem caindo. Isso é um reflexo da entrada das novas gerações no campo?
Fernando - 
Sim. O filho do agricultor antigamente não queria trabalhar na agricultura, que não era considerada uma atividade boa. Hoje, como o setor é o motor da economia do país, isso mudou. Os jovens estão estudando, fazendo agronomia, curso de big data no agronegócio, curso de agricultura de precisão e voltando para trabalhar com seus pais no campo. Isso tem um potencial enorme, porque você tem o novo que estudou aliado à grande experiência do pai.

GR - A telemetria já é uma ferramenta utilizada correntemente no mercado?
Fernando -
 Sim. A maioria das linhas automotrizes já tem essa tecnologia disponível e grande parte das propriedades está usando a telemetria como forma de gerenciar suas operações. A operação agrícola tem uma série de parâmetros com chance de dar problemas e outros que podem garantir melhor desempenho, incluindo a economia de químicos. Por exemplo, quando você tem em uma pulverizadora um controle de AP bico a bico, é possível economizar químicos, mas o jeito de usar a máquina pode gerar desperdício. Pode haver uma grande sobreposição, uma área pode ser esquecida, deixando uma zona de infestação na lavoura. Com a telemetria, é possível acompanhar o que está sendo feito online ou depois e ver o que funcionou e o que saiu errado para corrigir. É a digitalização da agricultura que o produtor leva para seu escritório.

GR- Como serão as máquinas agrícolas do futuro? Para onde está indo a indústria?
Fernando - 
O futuro será de produtos cada vez mais autônomos. Em 2010, apresentamos na Agrishow um veículo conceito. Em 2013, lançamos outra versão do veículo e parte da tecnologia desenvolvida nessas máquinas conceito já está sendo usada em nossos produtos. A agricultura caminha mais rapidamente para ser autônoma do que os veículos da cidade. Há dez anos, temos máquinas com piloto automático. Agora, sabemos que o agricultor não vai usar veículo autônomo por ser autônomo. Ele vai usar o que agregue qualidade e produtividade ao seu negócio. Ser autônomo é só uma parte. Ter total controle do que acontece no plantio, na pulverização e na colheita num ambiente único é o futuro, ou melhor, é quase o presente.

GR - Em quanto tempo teremos máquinas sem operador no campo?
Fernando -
 Num exercício de futurologia, acredito que em quatro ou cinco anos essa máquina autônoma já será uma realidade no mercado. Mas é preciso lembrar que muitas tecnologias dependem da adesão do usuário. Não é porque existe a tecnologia que o agricultor vai usar. Ele vai comprar apenas quando se sentir seguro em relação ao custo-benefício da máquina.

GR - Então, no futuro, quem não estiver conectado estará fora do mercado?
Fernando -
 Olha, a tecnologia digital (internet das coisas, máquinas inteligentes, nuvem e mobilidade) vai permitir que as empresas ofereçam novas soluções, novos equipamentos e outras ofertas envolvendo todo o ecossistema de negócios. Esse futuro já começou e caminha para uma complexidade e um cenário de oportunidades cada vez mais rico. Produtos e serviços passam a ser relidos em torno do digital. Por exemplo, um produto como o pulverizador Uniport UP3030, aparentemente tradicional, ganha conceitos de conectividade que permitem um nível de gestão até então não imaginado. Do escritório, o agricultor pode acompanhar o desempenho do veículo (velocidade, posição a cada 5 segundos, condições de motor, etc.), o desempenho da aplicação (pressão de pulverização, vazão, temperatura ambiente, umidade), além de ter parâmetros de gestão (sobreposição de pulverização, motivos de paradas, qualidade, comparativos entre operadores e máquinas, entre outros). Tudo isso permite ao produtor fazer uma otimização da operação, que inclui evitar impactos ambientais e muito mais. Isso permite ainda que a máquina “saiba” que está na hora de trocar um filtro e possa estabelecer um canal de compra (com todas as permissões do agricultor) “automática” sem que haja uma série de ações intermediárias.

              
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