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26/07/2017
Fonte: BeefPoint

O que os vaqueiros podem nos ensinar sobre alimentar o mundo – Por Bill Gates

Eu serei a primeira pessoa a admitir que sou um menino da cidade. Eu cresci em Seattle, onde minha principal experiência com agricultura como criança eram os produtores que vendiam frutas e vegetais recém-colhidos no Pike Place Market.

Desde então, visitei muitas fazendas pequenas como parte do meu trabalho com a fundação. Mas nada me preparou para onde fui recentemente: na selva do interior australiano observando um pecuarista inseminar artificialmente uma vaca.

É um procedimento bastante gráfico para dizer o mínimo, mas fiquei impressionado com a alta tecnologia do processo em toda a Estação Wylarah (estação é o termo australiano para uma fazenda). A Australian Agricultural Company – ou AACo – depende da genômica de ponta para produzir vacas wagyu, um dos melhores gados do mundo.

A AACo é um dos principais especialistas do mundo desenvolvido na produção de gado tropical. Embora eles usem a inovação para produzir carne de melhor qualidade que podem vender por um bom preço, eu estava mais interessado em saber como seus métodos poderiam ajudar os produtores em países de baixa renda com climas similares.

Os produtores da África Subsaariana já estão criando bovinos – de corte e de leite – em números muito altos. Etiópia, Sudão e Tanzânia estão entre os 15 maiores países produtores de gado do mundo. Embora existam questões legítimas sobre se o mundo pode satisfazer seu apetite por produtos de origem animal sem destruir o meio-ambiente, é um fato que muitas pessoas pobres dependem do gado para nutrição e renda. Eu acredito que eles devem ser capazes de criar gado de forma tão eficiente quanto os produtores nos países ricos criam.

Estou otimista de que a tecnologia possa melhorar a qualidade do gado africano. Uma vaca leiteira típica nos Estados Unidos produz quase 30 litros de leite todos os dias. Compare isso com a vaca média na Etiópia, que produz apenas 1,69 litros de leite por dia. Se você deseja aumentar a produção de leite, você não pode apenas pegar uma vaca holandesa de alta produção de Wisconsin e largá-la na savana tropical. Ao contrário das raças indígenas, o gado de clima temperado não tem resistência natural às doenças tropicais – como a tripanossomíase ou doença do sono – e eles têm dificuldade em obter nutrição suficiente de fontes locais de alimentos.

Em vez disso, você pode criar gado que irá florescer no clima local. Isso significa usar a inseminação artificial – como o processo que eles usam na Estação Wylarah – para cruzar uma vaca nativa (com sua resiliência ao calor e às doenças tropicais) com um touro de uma linha genética que produz muito leite.

Nossa fundação já está lidando com isso, mas a tecnologia da AACo pode tornar o processo muito mais preciso do que é hoje. Uma das coisas que mais me surpreendeu durante a minha visita foi o quanto eles sabem sobre a ascendência de seus gado. Os animais em sua fazenda têm uma história familiar mais detalhada do que a maioria das pessoas tem. Se os produtores na África estivessem equipados com o mesmo nível de conhecimento, eles poderiam escolher os melhores pais possíveis e criar um bezerro melhor. Mas isso nos leva a outro problema.

Por falta de armazenamento adequado, a maioria dos produtores africanos depende de estações de inseminação artificial (sim, é assim que são realmente chamadas) para fornecer amostras de esperma. Dependendo de quão longe um produtor vive de uma estação, a amostra pode, às vezes, aquecer demais e efetivamente morrer antes de ser entregue.

Muitos produtores decidem não correr o risco. Em vez disso, eles emprenham suas vacas do modo antigo, o que torna mais difícil controlar a integridade genética e pode levar a bezerros que são menos resistentes ou produzem menos leite.

A AACo está buscando métodos que estendam a viabilidade das amostras de esperma. Uma tecnologia similar é usada atualmente na Europa para melhorar a taxa de sucesso da fertilização, mas ainda não foi tentada com o gado tropical. Se for bem sucedida, poderia dobrar a quantidade de tempo que uma amostra pode sobreviver fora do armazenamento e tornar mais fácil para mais produtores em toda a África usar inseminação artificial.

Além da reprodução, a Estação Wylarah usa tecnologia para garantir que seus rebanhos recebam uma nutrição adequada. Fiquei surpreso ao ver que os funcionários da fazenda usam relógios inteligentes para acompanhar o quanto as vacas estão bebendo.

No passado, alguém precisava inspecionar manualmente todos os cochos de água espalhados pela fazenda, dirigindo centenas de quilômetros todos os dias. Agora eles recebem uma notificação no relógio quando um sensor detecta que um tanque precisa de atenção. Toda a operação estava muito distante dos filmes de cowboy de John Wayne que costumava assistir quando criança.

Nem todas as atividades inovadoras da AACo poderiam funcionar no mundo pobre. É improvável que todos os produtores da África usem um relógio inteligente em breve (se usar alguma vez). Mas, à medida que o uso de smartphones continua crescendo em todo o continente, é fácil imaginar um futuro em que os africanos possam usar um aplicativo para comprar o DNA do touro perfeito ou garantir que seu gado esteja comendo o suficiente – algo que uma empresa africana de tecnologia de informação e comunicação (TIC) chamada iCow está promovendo no Quênia , Etiópia e Tanzânia com a ajuda da nossa fundação.

Há muita coisa que podemos aprender com o Wylarah Ranch sobre como criar o gado de forma mais eficiente, mas não posso ignorar a grande questão: devemos depender dos animais para ter comida? Comer muita carne contribui para níveis mais elevados de obesidade e doença cardíaca, e criar animais contribui para a mudança climática. É por isso que investi em empresas que trabalham com substitutos da carne, o que poderia um dia eliminar totalmente a necessidade de criar e matar animais.

Embora seja possível fazer com que as pessoas nos países mais ricos comam menos, não podemos esperar que pessoas em países de baixa renda sigam o exemplo. Quando fui vegetariano por um ano nos meus 20 anos, tudo o que eu tinha que fazer para obter minha porção diária de proteína era comprar uma lata de feijão ou um recipiente de tofu no mercado. Não é tão fácil para as famílias das comunidades pobres obterem a nutrição de que precisam.

Para eles, a carne e os produtos lácteos são uma ótima fonte de proteínas de alta qualidade que ajudam as crianças a se desenvolverem completamente, mental e fisicamente. Apenas 20 gramas de proteína animal por dia pode combater a desnutrição, e é por isso que a estratégia de nutrição da nossa fundação quer conseguir colocar mais carne, lácteos e ovos nas dietas das crianças na África.

O gado também é um grande direcionador econômico em algumas partes da África. Somente na Etiópia, os bovinos representam 45% do PIB agrícola. Além disso, o gado pode realmente contribuir para os ecossistemas, estimulando o crescimento das pastagens, aumentando a biodiversidade e a reciclagem de energia e nutrientes.

À medida que mais pessoas nos países pobres mudam para a classe média, provavelmente comerão mais carne e beberão mais leite. Mas podemos mitigar o impacto desse crescimento no meio-ambiente, aumentando a produção das vacas que eles já possuem. Os vaqueiros de Wylarah Ranch dominam a arte de criar gado tropical. Ainda não sei como os produtores africanos podem se beneficiar de sua experiência – nossa fundação está apenas começando a investigar isso -, mas estou entusiasmado com as possibilidades.

              
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