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27/07/2017
Fonte: Globo Rural

Morre o Dr. Shiro Miyasaka, agrônomo que ajudou a introduzir a cultura da soja no Brasil

Nascido no Japão, ele foi o primeiro japonês a se doutorar em agronomia no Brasil e se tornou referência na produção agroecológica

Morreu nesta quarta-feira (26/7), aos 92 anos, o Dr. Shiro Miyasaka, cujo trabalho se tornou referência em sustentabilidade e agroecologia.Considerado pela Globo Rural, em 2010, uma das 25 personalidades que revolucionaram os rumos da agropecuária brasileira, Miyasaka sofreu uma morte natural e já está enterrado, segundo informações compartilhadas nas redes sociais.

 

Nascido na cidade da Hokkaido, no norte do Japão, Shiro Miyasaka chegou ao Brasil aos oito anos de idade. Graduo-se na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq) em 1951 e, em 1959, tornou-se o primeiro japonês a se doutorar em agronomia no país. Shiro trabalhou em instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), onde se aposentou em 1985. Depois disso, foi durante dois anos professor da Universidade de Tsukuba, no Japão, onde aprofundou ainda mais seu aprendizado sobre agricultura alternativa e sustentabilidade.

 

Shiro Miyasaka participou da "Campanha de expansão da soja". Em 1981, ele escreveu o livro A soja no Brasil. Em 2008, no livro Manejo da biomassa e do solo, visando à sustentabilidade da agricultura brasileira, do qual foi coordenador, ele escreveu: "Tenho orgulho de ter participado do trabalho inicial de implantação da soja no Brasil. Hoje, de um lado, vemos a maravilha do feito dessa cultura na economia brasileira, porém, de outro, vemos que estamos pagando um preço alto por esse sucesso, um alto custo decorrente do esgotamento dos recursos naturais, quais sejam, preciosos solos e águas". Dr Shiro dizia que a cultura implantada no Sul, Sudeste e Centro-Oeste não tinha sustentabilidade e alertava para o risco da soja para a região Norte do país.

O interesse pela agricultura orgânica veio despois de Shiro assistir a uma palestra da agrônoma Ana Maria Primavesi quando ele trabalhava no IAC, de acordo com o livro Ana Maria Primavesi: histórias de vida e agroecologia, de Virgínia Mendonça Knabben, que traz também a história dos pioneiros da agroecologia.

“Comecei a atuar conforme a minha consciência e a participar de todo o movimento dela. Ao contrário do que diziam, a agricultura orgânica não era empírica, sem base científica. Eu comecei a enxergar através do livro dela, que tinha embasamento científico. A mesma convicção que eu tinha no sucesso da soja, lá atrás, eu tenho hoje em relação à agricultura natural”, disse.

              
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