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13/09/2017
Fonte: Scot Consultoria

O Brasil não está só no universo pecuário global

No início do semestre um importante relatório estadunidense foi divulgado e as informações nele contidas, afetam o mercado bovino norte-americano.

 

Lançado pelo Serviço Nacional de Estatística Agrícola (NASS) do Conselho de Estatística Agrícola pertencente ao Departamento de Agricultura (USDA), o inventário de bovinos mostrou que o rebanho norte-americano está em expansão.

 

A quantidade de bois e bezerros atingiu a marca de 103 milhões de cabeças, um crescimento de 4% em relação a julho de 2015, cujo rebanho foi estimado em 98,2 milhões (em 2016 o serviço nacional de estatística não divulgou o inventário no meio do ano).

 

Esse crescimento ficou acima das expectativas e a divulgação dos dados pressionou negativamente a cotação do boi gordo no país, diferentemente do que vinha sendo observado nos anos passados quando a oferta estava encolhendo.

 

Os dados mostram que a pecuária do país vem se recuperando e que a fase de reconstrução do rebanho está em andamento após anos de consecutivas quedas no número de bovinos, decorrente da forte estiagem que começou em 2011, fato que acarretou em uma severa liquidação do rebanho, resultando nas menores quantidades de bovinos desde a década de 50, como pode ser observada na figura 1.

 

Figura 1
Rebanho estadunidense em milhões de cabeças
Fonte: USDA, compilado pela Scot Consultoria.

 

Os números também mostram que o rebanho de vacas de corte aumentou 7% nos últimos dois anos atingindo os atuais 32,5%.  O rebanho de vacas de leite teve um acréscimo discreto, de 1,0%, totalizando 9,4 milhões de vacas.

 

A quantidade de novilhas (acima de 226kg) também foi contabilizada no relatório. Em julho de 2017, eram 4,2 milhões de cabeças, quantidade 2% menor do que o em 2015, já o número de novilhas destinadas à produção leiteira permaneceu inalterado.

 

Outro dado importante é a quantidade de bezerros/bezerras. O número de animais pertencentes a essa categoria aumentou 5% nos últimos dois anos, chegando a 28 milhões de cabeças.

 

Em curto prazo o rebanho estadunidense, à priori, continuará em expansão.

 

Porém, esse crescimento não ocorreu em escala nacional. Na região sudeste, por exemplo, o tamanho do plantel manteve-se estável, segundo a revista americana Cattle Network, os dois estados que mais colaboraram com a restauração do rebanho norte-americano foram o Texas e Oklahoma, grande parte desse crescimento foi devido ao aumento das chuvas, que colaboram com a qualidade e a capacidade de suporte das pastagens.

 

A questão é de que forma os preços do boi gordo serão influenciados pelo incremento da oferta.

 

À medida que os preços aumentam (foi o que ocorreu entre 2011 a 2014), a produção se expande, como o que está acontecendo no momento.

 

Todavia o incremento dessa oferta poderá fazer com que os preços não se sustentem por muito tempo, a menos que a exportação ou o incremento do consumo suportem o aumento da oferta.

 

Os mercados que compram a carne norte-americana são: Japão, México, Coreia do Sul, Canadá, Hong Kong e Oriente Médio. Esses seis países compram mais de um milhão de toneladas de carne dos Estados Unidos, o equivalente a 2,5 milhões de euros, segundo dados da Livestock Marketing Information Center (LMIC).

 

Um país que fica apreensivo com o aumento do rebanho dos EUA é a Austrália, pois esse aumento desafia sua participação nos principais mercados de exportação, particularmente no norte da Ásia. Mas, a produção australiana, de acordo com dados da Meat & Livestock Austrália, também está prevista para crescer na segunda metade de 2017 e, em seguida, continuará a expandir-se nos próximos quatro anos.

 

Como se vê, o Brasil não é o único país que sente os efeitos do ciclo pecuário e vale destacar que a pecuária não é o único sistema que sofre com essa ciclicidade, pois os preços de mercado têm um efeito significativo em todos os tipos de produção de commodities.

 
              
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