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23/11/2017
Fonte: Globo Rural

Boiada come capim nativo e ajuda a conservar ambiente do Pantanal

Pesquisadores afirmam que manejo da pecuária de corte feito há pelo menos 200 anos preservaram 82% da planície pantaneira

A pecuária de corte é fundamental para a conservação do meio ambiente do Pantanal e uma das atividades que auxiliam a sobrevivência e a manter o homem na região há mais de dois séculos. Estudiosos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Pantanal) são unânimes: a maneira como a criação e a engorda de bois são praticadas permite a preservação de 82% da planície pantaneira – nenhum outro bioma do país perdeu apenas 18% de sua área natural. É que a boiada cresce no pasto e come o mesmo capim nativo há mais de 200 anos. As boas práticas produtivas excluem a utilização de produtos químicos no solo e de remédios alopáticos e antibióticos na cura do gado. A homeopatia é largamente utilizada. Rios e igarapés são mais protegidos e o boi fornece carne saudável e saborosa.

“Não há agressão à natureza na planície. Animais convivem pacificamente entre si e com o homem sem ameaça à biodiversidade”, afirma Jorge Antonio Ferreira de Lara, chefe-geral da Embrapa Pantanal, de Corumbá (MS). Já na parte alta do Pantanal, a ocupação do solo pelas lavouras de grãos e pela cana provoca danos como a redução de biodiversidade e o comprometimento das nascentes, dizem os especialistas.

Há anos, a Associação Brasileira de Produtores Orgânicos (ABPO), de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, produz uma carne orgânica e sustentável respeitando o meio ambiente, o bem-estar animal e a qualidade de vida do homem. O produto é distribuído pela Korin, empresa brasileira que opera somente com alimentos naturais. A partir do mês passado, a ABPO deu um passo decisivo ao conquistar um protocolo de certificação que irá valorizar ainda mais a pecuária do Pantanal. Comandaram a iniciativa a ABPO e o WWF, ONG ambiental, e o documento foi assinado por Leonardo Leite de Barros, que preside a entidade de Mato Grosso do Sul, e pela Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA). A fiscalização cabe ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

É o primeiro protocolo de certificação sustentável com esse foco no Brasil, diz Leonardo. “Para nós, foi a realização de um sonho: aumentar a presença no mercado e valorizar o homem pantaneiro, sua cultura e os processos produtivos que há mais de 200 anos preservam o bioma.”

Segundo ele, as regras são assentadas em três pilares: 1) o animal tem de nascer no Pantanal; 2) o gado deve comer pasto nativo. São 12 tipos de gramíneas que só vicejam na região; 3) conservação do meio ambiente e foco no bem-estar do gado.

A ABPO é formada por 18 propriedades espalhadas pelo Pantanal. O rebanho total é de 80 mil animais e o abate ao mês gira em torno de 500 a 600 animais. Segundo Leonardo de Barros, a ABPO atua em uma área certificada de 110.000 hectares no Pantanal. “A tendência é aumentarmos cada vez mais o espaço, por conta da demanda acentuada pela carne”, diz ele.

A carne sustentável do Pantanal é distribuída pela Korin para casas como Zaffari, Wessel e outras. São nichos de mercado, portanto, e que pagam um percentual a mais que varia de 2% a 12%.

De acordo com Reginaldo Morikawa, superintendente da Korin, a procura pelo produto realmente tem aumentado. “Começamos distribuindo 5 toneladas de carne ao mês, em 2015. Hoje, estamos em 100 toneladas mensais.” Reginaldo afirma que a marca Pantanal também funciona como um poderoso atrativo.

A previsão da empresa é crescer o dobro dentro de dois anos. O executivo acrescenta que houve um incremento na comercialização de carne orgânica e sustentável após a Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em março deste ano e que acusou algumas marcas de adulteração do produto.

No Pantanal, o gado é criado no meio de animais selvagens e come junto com outros herbívoros. É comum ver o boi dividindo espaço nas pastagens com antas, capivaras e veados. “Quando o consumidor faz a opção pela carne saudável que produzimos, ele está também ajudando a conservar o Pantanal e sua tradição cultural”, afirma Leonardo.

A parceria entre uma ONG e o setor produtivo é bastante comentada, afinal, ambos deixam de lado antigas diferenças. “Trabalhar em conjunto com a produção é importante para que nossa missão de produzir em harmonia com a natureza seja alcançada, garantindo a sustentabilidade socioambiental e econômica das futuras gerações”, diz Júlio César Sampaio, coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF. A ONG atua na região desde 1998.

Curraleiro pé-duro: do sertão para o mercado
curraleiro-pé-duro (Foto: Divulgação) O curraleiro é fundamental na vida do sertanejo, fornecendo leite e carne (Foto: Divulgação)

Depois que, no final de 2012, foi reconhecida oficialmente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento como raça bovina, a curraleiro pé-duro, primeira surgida no Brasil, há mais de 400 anos, e que quase foi extinta recentemente, passou a ser divulgada com mais intensidade e a se espalhar por outros Estados, além dos da Região Nordeste, onde o rebanho foi aprimorado e  tornou-se bastante rústico.

Hoje, há sêmen de touros disponível em centrais de inseminação, enquanto experimentos de cruza com o nelore, conduzidos pela Embrapa Meio-Norte, sediada em Teresina (PI), deram origem ao denominado boi tropical, um tipo mestiço afeito aos trópicos e de carne saborosa. Ele é mais precoce que o zebuíno nelore e pesa 45 quilos de carne a mais nas mesmas condições de pasto. O tropical  vem sendo pesquisado há sete anos. 

A curraleiro pé-duro é o exemplo da interação bicho-natureza. Fundamental na vida do sertanejo, tem dupla aptidão (fornece leite e carne). Mas nem mesmo os predicados favoráveis ao curraleiro pé-duro livraram-no da ameaça de extinção. É que as raças zebuínas foram conquistando espaço no Brasil. A partir de 2011,  porém, instituições como a Embrapa, a Associação  Brasileira de Criadores de Curraleiro e a Universidade Federal de Goiás deram início a um trabalho de conservação de animais e genética e para mostrar a importância da raça para o cruzamento industrial. 

Deu certo. A Embrapa faz um trabalho de conservação amplo. O banco de germoplasma possui hoje 16.853 doses de sêmen de 51 reprodutores. Destas, 12.010 doses, de 35 touros, estão na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) e 4.843 doses, de 16 touros, na unidade Meio-Norte. O banco tem ainda 148 embriões de 13 acasalamentos distintos.

A curraleiro surgiu de uma seleção dos primeiros bovinos trazidos de Portugal e Espanha nas  naus; portanto, é taurina-europeia. “Extremamente rústica, ela é adaptada ao clima tropical e à alimentação nativa, resistente a carrapatos e bernes e produz carne mais macia do que a dos zebuínos”, diz Geraldo Magela Cortês Carvalho, pesquisador da Embrapa Meio-Norte e autor do livro Germoplasma estratégico.

Em Teresina, funciona a Associação Brasileira de Criadores de  Curraleiro Pé-Duro, com cerca de 3 mil animais registrados. O rebanho do país é de 10 mil cabeças.

Neste ano, a empresa Alta Brasil, de Uberaba (MG), fez uma parceria com a Embrapa e trouxe dois touros curraleiros do Nordeste:  Duende e Mussun.

 

 

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