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28/11/2017
Fonte: MNP

Entrevista com Adriane Lermen Zart Diretora do MNP

Eleita uma das 100 personalidades mais influentes do agronegócio brasileiro pela Revista Dinheiro Rural, edição de novembro de 2017, Adriane Lermen Zart, é veterinária, cresceu em família de produtores rurais e apaixonada por pecuária. Ela é sócia da Personal PEC Consultoria, e gerente de pecuária da propriedade familiar, em Tocantins. Atualmente integra a diretoria do Movimento Nacional dos Produtores (MNP) e nos mostra na entrevista como é possível liderar no agro, independente de gênero.

 

MNP: O agronegócio sempre foi uma área com profissionais majoritariamente do sexo masculino. Como foi sua inserção?

 

Adriane: Concordo que o mundo da agropecuária é um mundo onde a presença masculina é muito maior do que a de mulheres, porém cresci na fazenda, vivendo a fazenda, esse era meu mundo. Meu pai nunca me tratou diferente por ser mulher, muito pelo contrário. Desde criança ele percebeu que eu gostava de estar ali e que gostava de animais, então sempre me envolvia em todas as atividades da fazenda. Chamava meu irmão para lavoura, porque gostava de trator e me chamava para cuidar dos animais. Meus pais nunca me passaram essas diferenças de gênero, logo elas nunca existiram para mim. Ser uma mulher na pecuária nunca foi algo estranho, porque sempre me senti pertencente a esse mundo, sempre foi natural.

 

MNP: Muitas mulheres começaram a empreender no setor agropecuário devido à linha sucessória. Qual seria a dica às novas sucessoras?

Adriane: Vejo muitas colegas que querem ser sucessoras no Agro e administrar o negócio da família, porém reclamam que não tem espaço, que a família não dá autonomia ou liberdade e que trabalhar com pai ou avô não fácil. Meu principal conselho a todas que querem seguir o negócio do agro, principalmente quando se trata de sucessão familiar é: conheçam bem o negócio primeiro, aprendam o máximo com seus antecessores. Esse espaço tem de ser conquistado e merecido. Não queiram chegar dentro da empresa ou fazenda já querendo implementar novas ideias ou conceitos. Antes disso acompanhe o dia a dia da fazenda, entenda tanto a parte prática e técnica como a parte financeira e administrativa. Esteja pronta para ajudar no que for preciso. Temos que lembrar que se o negócio ainda existe é porque nossos antecessores fizeram as coisas bem-feitas, acertaram mais que erraram. Logo temos muito a aprender com eles. Assim, quando chegar a nossa vez de estar à frente, será muito mais fácil colocar em prática nossos conhecimento e ideias

MNP - Além De ser criadora, veterinária e empreendora você atualmente também está à frente do Movimento Nacional dos Produtores, como diretora, como consegue conciliar todas suas funções, e quais são os objetivos para 2018?

Adriane: Como tudo na vida não é questão de tempo e sim de prioridades. Claro que é importante a gente ter foco para que consigamos avançar em algumas áreas. Afinal, não dá para fazer tudo ao mesmo tempo. Porém quando sabemos priorizar, conseguimos sim organizar nossa agenda e responder por mais atividades. Aprendi com meu mentor, Dr. Paulo Loureiro, a importância de fazermos trabalhos voluntários para nossa comunidade, de contribuirmos com algo bom para o local onde crescemos e fizemos nossas vidas. Acredito que esse trabalho em entidades, como no MNP, seja importante para organização, união e prosperidade da classe.  Para 2018 nosso principal objetivo será captar as principais demandas dos produtores e levar até entidades como Famasul e Sindicato Rural para que sejam então defendidas junto aos nossos governantes, principalmente porque teremos eleições no próximo ano e precisamos expor essas demandas aos candidatos. Trazer mais jovens para dentro das entidades é outra preocupação nossa para ajudar na formação de novos líderes para o setor. Na diretoria do MNP eu sou responsável, juntamente com o também médico veterinário e produtor rural Giulian Rios, pela organização do GTE, nosso grupo de troca de experiências, e, em 2018, nosso objetivo é promover pelo menos três dias de campo nas fazendas de associados para mostrar trabalhos que merecem destaque e assim incentivar a troca de informações e aprendizado mútuo.

Falando ainda sobre trabalhos para comunidade, em 2018 estou acertando uma parceria com a Fundação Bradesco de Miranda/MS, com o objetivo de transmitir conhecimentos sobre a técnica de manejo Nada nas Mãos e bem-estar animal aos novos técnicos agropecuários formados pela fundação, que é um excelente exemplo de ensino para todo o Brasil.

MNP: Como uma das 100 personalidades mais influentes no agronegócio brasileiro, qual é a dica que você deixa, para mulheres e jovens, que pensam em seguir esse caminho? Como alcançar reconhecimento e espaço na pecuária e no agronegócio como todo?

Adriane: Meus conselhos não poderiam ser mais clichês, mas é uma verdade para mim: trabalhe com amor, faça com paixão e com dedicação e seriedade que as coisas darão certo. É importante entendermos realmente qual é o objetivo do nosso trabalho. Sempre levo comigo na minha mente e coração que minha missão ao começar um trabalho em uma fazenda é tornar a vida, das pessoas e dos animais que ali vivem, melhor. Acredito que as pessoas sentem um pouco dessa energia e desse carinho. Dedicar-se ao máximo em cada trabalho, se preparar, estudar e ter disciplina, também é fundamental. Assim, mesmo se as coisas não derem muito certo, você terá a consciência tranquila de que fez o SEU melhor, irá aprender com os erros e crescer.

 

 

Por: Emanuelly Vitório

              
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